Tarefa - Esquete Monty Phyton

Título do Esquete: O Papagaio Morto

Lista de Personagens:

CLIENTE: Um homem frustrado, com um papagaio morto. Sempre irritado, usa gestos amplos e voz alterada mostrando irritação e ironia.

VENDEDOR: Um atendente de loja brincalhão. Sempre calmo e evasivo. Suas ações tentam minimizar o problema.

Objetos de Cena:

·        Uma gaiola com um papagaio de borracha ou brinquedo.

·        Prateleiras com caixas e potes ao fundo.

·        Sino na porta, cigarro.

·        Caixa registradora no balcão.

Marcações Importantes:

·        Uso repetitivo da gaiola e do papagaio como objeto cômico central.

Macro Rubrica Inicial:

(Uma loja de animais. A cena começa com foco em um aquário e a câmera vai se afastando. Prateleiras com caixas pequenas, um balcão com uma caixa registradora em cima. Um sino toca ao abrir da porta. O cliente entra segurando uma gaiola com um papagaio morto dentro. Ele caminha até o balcão onde o lojista tenta se esconder abaixo da caixa registradora.)

Cliente: Olá, desejo registrar uma reclamação (colocando a gaiola sobre a mesa) Oi? Senhorita?

Lojista: (levantando-se) O que quer dizer com senhorita?

Cliente:  Oh, desculpe, estou resfriado. Desejo fazer uma reclamação!

Lojista: Desculpe, estamos fechando para o almoço.

Cliente: Não se preocupe com isso, meu rapaz. Desejo reclamar sobre este papagaio que comprei há menos de meia hora nesta mesma boutique.

Lojista: (olha para a gaiola) Ah, sim, o Azul Norueguês. O que há de errado com ele?

Cliente:  Vou lhe dizer o que há de errado com ele, meu rapaz. Ele está morto, é isso que há de errado com ele!

Lojista: Não, não, ele está descansando, olhe! (apontando para a gaiola)

Cliente:  Olha meu rapaz, eu reconheço um papagaio morto quando vejo um, e estou olhando para um agora mesmo. (levantando a gaiola)

Lojista: Não, não senhor. Não está morto. Está descansando!

Cliente:  Descansando?

Lojista: Sim, pássaro notável... O Azul Norueguês, plumagem linda, não é?

Cliente:  A plumagem não entra nele - está completamente morto.

Lojista: Não, não - está apenas descansando!

Cliente: Tudo bem então, se estiver descansando, eu vou acordá-lo! (abre a porta da gaiola e grita) Olá Polly! Tenho uma bela lula para você quando acordar, Papagaio Polly!

Lojista: (dá um tapa na gaiola) Pronto, ele se moveu!

Cliente: (olha para o lojista incrédulo) Não, ele não se moveu. Foi você batendo na gaiola!

Lojista: Eu não me movi.

Cliente: Sim, você se moveu! (tira o papagaio da gaiola, grita no “ouvido” dele) Olá Polly. Polly! (bate o animal contra o balcão várias vezes) Papagaio Polly, acorde. Polly? (joga no ar e deixa cair no chão). Isso é o que eu chamo de papagaio morto.

Lojista: Não, não. Ele está atordoado (traga o cigarro e tira da boca).

Cliente:  Olha meu rapaz, eu já estou farto disso. Esse papagaio definitivamente morreu. E quando eu o comprei há menos de meia hora, você me garantiu que a falta de movimento dele era porque ele estava cansado e desgrenhado depois de um longo grito.

Lojista: Ele provavelmente está ansiando pelos fiordes.

Cliente:  Ansiando pelos fiordes, (indignado) que tipo de conversa é essa? Olha, por que ele caiu de costas quando o levei para casa?

Lojista: O Azul Norueguês prefere dormir de costas! Lindo pássaro, plumagem adorável!

Cliente: (encosta no balcão) Olha, eu tomei a liberdade de examinar esse papagaio e descobri que a única razão pela qual ele estava sentado em seu poleiro, em primeiro lugar, era que ele tinha sido pregado lá.

Lojista: Bem, é claro que ele estava pregado lá. Caso contrário, ele iria até aquelas barras e voom.

Cliente:  Olha, meu chapa (abaixa e pega o papagaio), esse papagaio não voaria se você colocasse quatro mil volts nele! Ele está morrendo!

Lojista: Não está, está definhando!

Cliente:  Não está definhando, está morto. Esse papagaio não existe mais! Ele deixou de existir. Ele expirou e foi encontrar seu criador. (impaciente) Esse é um papagaio tardio. É um cadáver. Desprovido de vida, ele descansa em paz. Se você não o tivesse pregado no poleiro, ele estaria empurrando as margaridas. Ele desceu a cortina e se juntou ao coro invisível. (irritado) Esse é um ex-papagaio.

Lojista: Bem, é melhor eu substituí-lo, então.

Cliente: (respira fundo e olha para a câmera) Se você quer fazer alguma coisa neste país, você tem que reclamar até ficar com a boca azul.

Lojista: Desculpe chefe, estamos sem papagaios.

Cliente: Estou vendo. Entendo. Entendi. (olha ao redor)

Lojista: (tira o cigarro da boca e o apaga) Tenho uma lesma.

Cliente:  Ele fala?

Lojista: Não, na verdade não.

Cliente:  Bem, dificilmente é uma substituição, não é?

Lojista: Escute, vou te dizer uma coisa, (entregando um cartão) se você for ao pet shop do meu irmão em Bolton, ele vai substituir seu papagaio para você.

Cliente:  Bolton, hein?

Lojista: Sim.

Cliente: Tudo bem. (Ele sai, segurando o papagaio na mão).

(A porta se fecha e o Lojista põe um bigode falso. Close-up da placa na porta dizendo: 'Similar Pet Shops, Ltd.' A câmera afasta o zoom para ver a mesma loja de animais. O cliente volta, encara o lojista e para no meio da loja, olha ao redor desconfiado. Avista a gaiola vazia ainda no chão, pega e aproxima do rosto, depois solta do alto).

Cliente: Com licença, aqui é Bolton, não é? (aproximando-se do lojista)

Lojista: Não, não, é, er, Ipswich.

Cliente: (respira fundo e olha para a câmera confuso) Isso é Inter City-Rail para você. (sai)

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