Tarefa Mãe Coragem Adaptada
CENA 3 - MÃE CORAGEM E SEUS FILHOS - ADAPTADA
Um bairro de periferia durante uma crise econômica. Mãe Coragem é agora uma
vendedora ambulante de comida, acompanhada de seus filhos, Kalle (equivalente
ao Eilif), Jonas (equivalente ao Queijinho) e Sofia (equivalente à Kattrin).
Eles estão em um ponto de ônibus improvisado, onde pessoas esperam transporte
para trabalhos precários em um grande centro urbano. A cena aborda a luta pela
sobrevivência em meio à informalidade e precarização do trabalho.
Personagens
- MÃE
CORAGEM: Uma mulher forte, pragmática, dona de um carrinho de lanche
onde vende marmitas.
- KALI:
O filho mais velho, esperto e ambicioso, que sonha em ganhar dinheiro
rápido.
- JONAS:
O filho do meio, tímido e responsável, que cuida do dinheiro das vendas.
- SOFIA:
A filha mais nova, surda-muda, mas expressiva e sensível.
- CLIENTES:
Trabalhadores em situação vulnerável que discutem a falta de
oportunidades.
- RECRUTADOR:
Um empresário local que promete empregos lucrativos, mas suspeitos.
CENA 3
(O ponto de ônibus está lotado. Mãe Coragem organiza o carrinho de lanches,
enquanto observa os trabalhadores, sempre alerta para possíveis oportunidades
ou problemas.)
MÃE CORAGEM
(gritando para os clientes)
Marmita quentinha, com carne de verdade! Quem vai trabalhar de barriga vazia
não aguenta até a hora do almoço! Dez reais, e leva o troco na hora.
KALI
(sussurrando para Mãe Coragem)
Mãe, a carne tá mais cara essa semana. Acho que deveríamos aumentar pra quinze.
MÃE CORAGEM
E espantar os fregueses? Não, Kali. Na crise, quem ganha é quem sabe fazer o
povo pagar sem perceber. Aprende isso.
CLIENTE 1
(aproximando-se com uma nota amassada)
Dona, aceita cinco? É tudo que tenho.
MÃE CORAGEM
(com um sorriso frio)
Aceito. Mas só porque você parece gente trabalhadora. Vai com Deus, e da
próxima vez traga um amigo. Quanto mais gente comer aqui, mais barato fica pra
todo mundo.
(Kali revira os olhos enquanto Mãe Coragem entrega a
marmita.)
JONAS
(contando o dinheiro no canto, ansioso)
Mãe, estamos ficando sem troco...
MÃE CORAGEM
Troco não põe comida na mesa, menino. Só faz o povo reclamar. Diga que a gente
devolve amanhã.
SOFIA
(aponta para um homem bem-vestido que acaba de chegar, o RECRUTADOR. Sofia
tenta avisar a mãe, mas não consegue falar. Bate no carrinho para chamar
atenção.)
MÃE CORAGEM
(notando o homem)
Opa, olha quem tá aqui. Oportunidade em pessoa. Kali, vai lá ouvir o que ele
tem pra oferecer.
KALI
(vai até o RECRUTADOR e começa a falar em um tom sedutor)
Senhor, tá precisando de algo? Ou tá vendendo algum milagre?
RECRUTADOR
(com um sorriso largo)
Milagre não, garoto. Trabalho. Ganhos altos pra quem tem coragem e iniciativa.
Estamos contratando seguranças pro galpão. Nada pesado, só garantir que ninguém
mexa na mercadoria. Fácil e rápido.
KALI
(interessado, mas desconfiado)
E paga quanto?
RECRUTADOR
O suficiente pra sua mãe trocar esse carrinho por uma barraca grande no centro.
MÃE CORAGEM
(intervém, aproximando-se rapidamente)
O suficiente pra pagar o velório também, se der errado? Esse tipo de oferta
sempre custa caro.
RECRUTADOR
(rindo)
Só custa caro pra quem não sabe jogar. Mas parece que a senhora é esperta
demais pra isso.
MÃE CORAGEM
(com ironia)
Esperta o suficiente pra continuar viva, pelo menos. Vamos, filho. Esse aí não
quer segurança, quer cúmplice.
KALI
(relutante, mas segue a mãe)
Sempre pensando pequeno, mãe. Assim nunca vamos sair dessa vida.
MÃE CORAGEM
(respira fundo, para e olha diretamente para ele)
A gente não sai dessa vida, Kali. Só sobrevive nela. Agora, vá ajudar seu irmão
com o troco.
(A cena termina com Mãe Coragem voltando ao carrinho,
enquanto o RECRUTADOR observa de longe, sorrindo, antes de abordar outro grupo
de trabalhadores inocentes.)
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